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Prevenção das Dependências - Art of Counseling

Prevenção significa: Prevenir, Adiar e Reduzir o abuso de substâncias psicoactivas geradoras dependência crónica, progressiva e fatal.

Prevenção das Dependências - Art of Counseling

Prevenção significa: Prevenir, Adiar e Reduzir o abuso de substâncias psicoactivas geradoras dependência crónica, progressiva e fatal.

Os conflitos entre pais não envolvem os filhos

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Qual é o impacto que o conflito entre os pais (e famílias) tem nas vidas das crianças?

A perturbação traumática é capaz de induzir a criança num estado de alerta constante, resposta fisiológica - lutar, fugir, cristalizar, vulgo fight or fly response. Este estado de alerta constante desencadeia a libertação de hormonas do stress no seu organismo, capaz de interferir, negativamente no desenvolvimento (arquitetura) do cérebro. Segundo a Academia Americana de Pediatras afirma que a resposta biológica a este estado de alerta constante pode revelar-se altamente destrutiva e durar a vida inteira. Segundo exames de ressonância magnética em crianças revela que episódios de violência, abuso emocional e/ou sexual, violência domestica ou pais adictos a drogas lícitas e/ou ilícitas, incluindo o álcool, entre outras perturbações traumáticas, podem comprometer algumas áreas cruciais sobre o funcionamento do cérebro. Segundo um estudo conduzido em mais de 17.000 doentes num Hospital de S. Diego (Kaiser Permanente, USA 1998) revela que as pessoas com perturbações traumáticas estão mais predispostas para abusarem de drogas e sofrerem de alcoolismo, desenvolverem doenças mentais, suicídio e cancro.

 

Como bem sabemos, o conflito faz parte do relacionamento com as pessoas. Quando conhecemos alguém, mais tarde ou mais cedo, iremos desenvolver um conflito com essa pessoa por discordarmos e/ou confrontarmos ou vice-versa. Se imaginarmos o mesmo cenário, mas acrescentarmos o facto de vivermos na mesma casa, “debaixo do mesmo teto”, durante um período considerável, a probabilidade do surgimento do conflito ainda é mais elevada.  Todavia, a questão fulcral é o que é que os pais podem fazer de forma a gerir o conflito sem envolverem as crianças, pelo menos o menos possível. É possível? Sim, nestas alturas de conflito, como adultos, precisamos de recordar que as crianças possuem uma interpretação completamente diferente sobre o conflito e contemplar uma estratégia, “plano de batalha entre adultos” com critérios bem definidos, a fim de salvaguardar a criança de eventuais danos. Convém também salvaguardar que nem todo o conflito gera dano/trauma, mas quando este se revela frequente, intenso e duradoiro, certamente irá gerar consequências negativas na criança. 

 

Existem evidências cientificas sobre o conflito entre pais, quer estejam a viver em conjunto/maritalmente ou estejam separados/divorciados, revelam que o conflito pode comprometer seriamente a saúde mental da criança, assim como, durante o seu percurso de vida.

 

Quando houver conflitos, entre pais, ambos ou pelo menos um dos progenitores, faça questão de que a criança não assista à “guerra dos adultos”, explique à criança que é assunto de adultos e que aconteça o que acontecer os pais vão sempre ama-la com honestidade, compromisso e esperança. Os pais são uma referência para o desenvolvimento da criança.

 

 

A prevenção das dependências começa em casa

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Os jovens são mais afetados pela publicidade ao álcool, revela estudo europeu recente. Segundo este estudo a exposição à publicidade a bebidas alcoólicas tem um enorme impacto no consumo entre os jovens e a autorregulação da industria não funciona. O estudo, em questão, publicado na reputada revista cientifica Addiction alerta para o impacto que o consumo de álcool tem entre os mais jovens e também alerta que o consumo de bebidas alcoólicas é a principal causa de incapacidade ou morte entre os jovens do sexo masculino com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos.

 O resultado deste estudo, vem corroborar outros  portanto não se trata de nenhuma novidade. Todavia, conscientes do problema, quais são as medidas impostas, pelos decisores políticos, que visam travar estes fenómenos? 1. O abuso do álcool, o consumo de bebidas alcoólicas por jovens com idades abaixo do permito por lei e 2. binge drinking (beber bebidas alcoólicas com o intuito de ficar intoxicado) e 3. abuso de bebidas alcoólicas é a principal causa de incapacidade ou morte entre os jovens do sexo masculino.

Quando contemplamos, o abuso de álcool pelos jovens, não o devemos fazer somente através dos reguladores institucionalizados com recurso a leis restritivas. Sabemos que as leis existem, mas também existem formas engenhosas de as contornar. Por exemplo, as marcas de cerveja, anunciam a cerveja sem álcool, todavia, é a fidelização à marca que importa e o lucro das cervejas sem álcool não creio que seja relevante comparativamente à cerveja com álcool. Nas camadas jovens, quem é que bebe cerveja sem álcool? Nos festivais de verão quem é que consome cerveja sem álcool? Nas festas académicas quem é que consome cerveja sem álcool? Na minha opinião, o consumo é residual comparativamente à cerveja com álcool. Para agravar a situação, a cerveja com álcool, neste tipo de eventos, para além de estar disponível em garrafas, também é servida a copos, que torna a venda mais acessível (e mais lucrativa), mesmo para aqueles jovens com fracos recursos financeiros.     

Por outro lado, considero que o problema são o comportamento das pessoas e não o álcool, propriamente dito. O problema não é o álcool. O problema não são as leis, são as pessoas que delineiam estratégias de marketing (publicidade) que visam somente o lucro (economia de mercado), o problema são os decisores políticos que evocam as questões económicas em detrimento das consequências do álcool nas camadas mais jovens, o problema são os media que não fazem investigação e não alertam ( e sensibilizam) a sociedade para as consequências do álcool,  as Instituições de ensino que formam profissionais, sem que estes estejam qualificados para abordar o assunto nas consultas e/ou nas urgências hospitalares e todos nós (sociedade civil) que compactua com esta «velha» tradição, imposta na nossa cultura, associada ao abuso do álcool, por exemplo, nas consultas ouço casos de alguns pais, com filhos de 11 e 13 anos, que afirmam o seguinte: “Os meus filhos já experimentam bebidas alcoólicas, começam a faze-lo em casa na presença dos pais. Por exemplo, numa festa é-lhes permitido, experimentar o álcool, com um gole.”. Contrariamente a este exemplo desafortunado, a prevenção mais eficaz, contra o abuso do álcool, começa em casa.  Infelizmente, o álcool ainda não é encarado como uma droga (substância psicoactiva do sistema nervoso central). Entre outras drogas o álcool é a droga mais perigosa, simplesmente, porque está disponível e porque permanecemos passivos perante todos estes fenómenos acimas referidos. Felizmente, nem todos os jovens abusam do álcool ou recorrem ao binge drinking, mas mesmo assim, a vida dos nossos jovens, mesmo em numero reduzido (refiro me aqueles que apresentam vulnerabilidades associados ao abuso do álcool), são mais importantes que o lucro das empresas e/ou tradições/tendências disfuncionais e retrogradas. É possível ser feliz, sem beber bebidas alcoolicas.

As pessoas mais felizes gostam de pessoas


Somos mais parecidos uns com os outros do que aquilo que imaginamos. As pessoas mais felizes gostam de pessoas

Onde é que ficamos? Qual é afinal a realidade? Decida você

 

“Governo recua e distingue vinho e cerveja das bebidas espirituosas. Nova lei proíbe álcool de teor elevado a menores mas mantém os 16 anos para bebidas “leves”. Associação de bebidas e peritos falam em cedência a lóbis. A diferenciação dos limites etários – 16 e 18 anos- consoante o teor de álcool, definida no novo diploma, aprovado, no dia 21/2/13, pelo Conselho de Ministros, veio defraudar entidades ouvidas durante a elaboração da lei para o consumo do álcool. É conhecida a posição de Pires de Lima contra a proposta da proibição alargada aos 18 anos. Pires de Lima é o presidente da Associação de Produtores de Cerveja e também presidente da mesa do conselho nacional do CDS-PP.  ” Lê se na notícia do Jornal de Notícias de 22/2/13. Podemos acrescentar na mesma notícia, segundo o secretário de Estado adjunto da Saúde “(…) a medida tenciona sobretudo impedir a embriaguez dos jovens.” Jornal de Noticias, 22/2/13. Esta é a versão dos políticos, dos interesses da Industria do Alcool (lobbies) e que contam com a conivência dos órgãos da comunicação social, sobre o problema de saúde pública relacionado com o álcool.

 

Repito mais uma vez, visto ter publicado já este facto no blogue, você sabia que existem um milhão e meio de pessoas que bebe em excesso e metade delas é alcoólica, em Portugal? No artigo do JN, para espanto de todos aqueles que trabalham nesta área e ou das famílias, incluindo as crianças afectadas pelo álcool, o jornalista ainda refere na notícia, “bebidas leves.” Apesar dos média teimarem em confundir a opinião pública e alimentar mitos, não existe este conceito “bebidas leves” quando sabemos o álcool é uma droga psicoactiva.

 

 

 

Breaking The Taboo - Film

"Guerra global contra as drogas"
Alimento pro pensamento

Nota: caso o video, não esteja disponivel nesta publicação do blogue, poderá ir ao site do Youtube e procurar Breaking The Taboo. 

Efeitos da Ingestão Aguda de Álcool, segundo o Dr. Pedro Girão

O consumo de álcool…

  • Torna mais fácil a integração no grupo.
  • Reduz a tensão e a ansiedade.
  • Alivia o stress e a baixa autoestima.
  • Ajuda a esquecer preocupações, sentimentos depressivos e problemas relacionados com escola/família.
  • Aumenta a confiança e atracão sexual. 

Consequências do uso/abuso frequente do álcool nos jovens:

  • Queda no desempenho escolar;
  • Dificuldades de aprendizagem/memória;
  • Problemas no desenvolvimento emocional;
  • Complicações decorrentes da desinibição excessiva (acidentes, etc.)
  • Gastrite;
  • Hepatite, pancreatite (fase crónica).

Intoxicação aguda: alcoolémia

  • Para uma determinada quantidade de álcool ingerido, a alcoolémia (taxa de álcool no sangue) nem sempre é fácil de prever, variando sobretudo com o peso e o sexo (as raparigas são mais vulneráveis).
  • Em média, ao fim de meia hora:
  • 1 Dose bebida menos graduada – 12 grau alcoólico = 0,30 g/l
  • 1 Dose bebida mais graduada – 40 grau alcoólico = 0,46 g/l
  • Limite legal para conduzir: 0,5 g/l
  • Taxa de 0,5 g/l - redução do stress, alívio da ansiedade; 
  • Taxa de 1,5 g/l - ligeira intoxicação (linguagem desinibida)
  • Taxa> = 2,5 g/l - graves sintomas de intoxicação com perda de controlo. Pode ocorrer turvação da visão, descoordenação muscular, diminuição da capacidade de reação, diminuição da capacidade de atenção e compreensão, deterioração da capacidade de raciocínio e da atividade social, irritabilidade, descoordenação, amnésia, etc.
  • Taxa> 4,5 g/l - existe perigo de vida: risco de depressão respiratória,

Intoxicação aguda: quadro típico

  • Hálito característico (nem sempre, por exemplo a vodka)
  • Falta de coordenação de movimentos e dificuldade na articulação de palavras;
  • Alegria e exuberância de atitudes;
  • Conflitualidade;
  • Ventilação irregular e acelerada;
  • Palidez e suores frios;
  • Contrações de pequenos grupos musculares;
  • Alterações da lucidez, equilíbrio, força e consciência (em casos mais graves pode surgir o coma alcoólico). 

Intoxicação aguda: coma alcoólico

  • O coma alcoólico é o estado de coma causado pelo excesso de álcool no organismo. Esse quadro é grave e tem indicação para internamento hospitalar urgente. Caracteriza-se por:
  • Ausência de resposta a estímulos (físicos, verbais);
  • Perda de reflexos (tosse, deglutição);
  • Depressão respiratória.
  • Hipoglicémia: Baixa concentração de açúcar no sangue, podendo provocar um quadro convulsivo.
  • Hipotermia: Baixa temperatura corporal (valores inferiores a 35ºC), provocando alterações das funções vitais.

Intoxicação aguda: atitudes a ter em conta

  • Se a vítima estiver consciente:
  • Provocar o vómito para eliminar o conteúdo gástrico;
  • Dar bebidas fortemente açucaradas;
  • Manter a temperatura corporal;
  • Vigiar as funções vitais.

 Se a vítima estiver inconsciente:

  • Promover o transporte imediato para o hospital.
  • Manter a via aérea permeável;
  • Colocar a vítima em PLS (decúbito lateral);
  • Manter a temperatura corporal;
  • Colocar açúcar debaixo da língua;
  • Vigiar as funções vitais;

Dr. Pedro Girão, Anestesista

 

Comentário: O meu agradecimento ao Dr. Pedro Girão pela sua participação no Recuperar das Dependências. Tal como já foi referido neste blogue, inúmeras vezes, alguns jovens, que frequentemente recorrem ao álcool para se divertirem (desinibir, divertir) estão expostos ao fenómeno do Binge Drinking (Abuso na ingestão de bebidas alcoólicas, num período reduzido de tempo, cuja principal intenção é a intoxicação (embriaguez). Por ex. entre os homens o consumo seguido de 5 ou mais bebidas e nas mulheres o consumo seguido de 4 ou mais bebidas. Este fenómeno pode ocorrer durante vários dias seguidos e afecta negativamente o comportamento dos jovens - algumas consequências previsíveis após o Binge Drinking: acidentes, condução sob o efeito do álcool e/ou drogas, violência, agressão  sexual e abuso, doenças sexualmente transmissíveis (hepatites, VIH, DST), intoxicação alcoólica, coma e morte.

Hoje em dia através da internet você possui imensa informação sobre este fenómeno, nesse sentido, organize atividades lúdicas (jogos) em família. Seja criativo/a. Aborde esta temática junto dos seus filhos, antes que surjam problemas associados ao abuso do álcool e/ou consumo de substâncias psicoactivas ilícitas. Caso pretenda ajuda pode contatar-me através do email: joaoalexx@sapo.pt

 «Mais vale prevenir do que remediar»

 

 

 

 

Pedidos de ajuda: Quebrar o estigma, a negação e a vergonha

Alguns pedidos de ajuda que recebo por email. Todos os dados das pessoas envolvidas, nestas histórias reais, foram modificados de forma a manter o sigilo completo. Respondo a todos os pedidos de ajuda.

 

1. “Boa tarde, chamo me T. Hoje durante a hora de almoço deparei-me com o seu blogue e gostaria de saber se pode prestar apoio.

 Resumindo, o meu filho, de 16 anos, por uma questão de alguma baixa estima (provocada por uma limitação física), talvez por não ter tido o acompanhamento paterno que deveria e talvez também por uma questão de fragilidade da própria personalidade, começou a consumir marijuana.

Sei que não é todos os dias, sei que não é em grandes quantidades, mas tem todos os indícios de já ter apanhado o vício. Tem um grupinho de colegas da escola que também fumam. Jura que nunca irá para as drogas mais fortes, mas a verdade, é que cada vez noto-o com mais necessidade de sair de casa, depois do jantar, para estar com o grupo de amigos. Já falei, montes de vezes, com ele, já o chamei à razão, ele diz-me que faz menos mal que o tabaco normal, e para eu estar descansada que ele sabe controlar-se.

Tentei proibi-lo de sair, mas ele ficou muito revoltado. Mais tarde, pediu desculpa, dizendo que não é o filho que eu gostava que ele fosse. Conheço bem o meu filho, é um miúdo sensível, muito amigo do seu amigo, e isso também o torna um bocado influenciável.

Não sei muito bem como atuar, sinto que tenho de manter um equilíbrio entre o coração e a razão, tenho tentado fazer isso, mas também penso que se o proibir de estar com os amigos, vou perder uma grande parte da sua confiança, até porque alguns deles são colegas de turma. Neste momento, fumar umas ganzas é tão natural, como na minha adolescência, fumar cigarros normais.

Gostaria de um conselho. Agradecida”

 

2. “Chamo me A. e o acaso quis que abrisse o seu blogue sobre a prevenção das dependências. Sou professora e a grande maioria dos meus alunos apresentam comportamentos desviantes tendo já um percurso de vida bastante atribulado, uns institucionalizados, outros com historiais de consumos e pequenos furtos, e claro, todos em situação de abandono escolar. Gostaria de saber qual a possibilidade e disponibilidade de uma intervenção sua junto das nossas turmas. Atenciosamente."

 

3. Chamo me P. e tenho um filho adicto que consome drogas desde os 12, actualmente tem 36 anos. Já fiz de tudo para o ajudar, mas ao fim de um determinado tempo, acaba por recair, e consequentemente, também sinto na “pele” as consequências negativas da sua adicção, visto ele viver comigo. Já estou cansada de abordar o assunto, onde ele, inclusive, já perdeu a família, incluindo três filhos, dos quais não pode contactar, por decisão judicial. Não sei mais o que fazer. Por favor ajude-me. Obrigada"

 

4. Olá meu nome é C. e há um mês descobri que meu filho, de 14 anos, está dependente de drogas. Foge de casa, quando regressa, é um farrapo. Chora imenso e pede ajuda para o problema das drogas, mas quando estamos dispostos a ajuda-lo, ele afirma que não quer ajuda. Como ele não tem recursos financeiros próprios, decidiu-se pelo tráfico para consumir, ou seja não sei mais o que faço. Devo coloca-lo num colégio interno para afastá-lo da droga? Uma vez que ele é menor de idade e não tem poder de decisão sobre si.

 Aguardo sua opinião, Obrigada”

 

5. “Chamo-me R. sou estudante de um curso de nível 4 na área das toxicodependências. Neste momento estou a fazer o estágio numa instituição que está interessada em participar na Acção Europeia sobre a Droga (EAD), nesse sentido, terei que propor um tema na área da prevenção. Andei a pesquisar na Internet e descobri o seu blogue, gostaria de saber se pode facultar informação específica sobre prevenção primária para escolas do 1º e 2ºciclo. Encontro imensa informação, mas como sabe, é excessiva e não é muito explícita. Se puder ajudar, agradecia imenso, visto este trabalho ter um significado muito importante, visto tratar-se do estágio curricular. 
Obrigada pela atenção, com os melhores cumprimentos”

 

Comentário: O motivo da publicação, deste pedidos de ajuda, no blogue é unicamente, quebrar o estigma, a negação e a vergonha associados às dependências de substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas. Portugal precisa, urgentemente, de uma cultura, ativa e diferente, que previna as dependências, atualmente, não existe prevenção.

Gostaria de alertar para a cultura que bebe, que reforça e promove o consumo de bebidas alcoólicas entre jovens menores de idade. Por exemplo, até à data deste post, Portugal é o único país da União Europeia, onde é permitido a venda e o consumo de bebidas alcoólicas a menores de idade. Sabia que o abuso do álcool e o alcoolismo são um problema de saúde pública? Sabia que o álcool é a substâncias psicoactiva mais perigosa?

Você tem filhos? Já falou com eles sobre o consumo de bebidas alcoólicas? Já abordou o tema das drogas ilícitas? Já abordou os riscos do abuso (binge drinking – consumo excessivo de bebidas alcoólicas cujo intuito é a intoxicação /embriaguez) e do alcoolismo. Se você não o fizer outras pessoas fazem por si. Você tem alguém na sua família com problemas associados ao abuso do álcool e/ou do alcoolismo ou drogas ilícitas? Se a resposta for sim, mais uma razão forte para abordar o assunto em família, incluindo os jovens. Promova a comunicação, na família, que ajude a quebrar os tabu e  os mitos associados às drogas lícitas e/ou ilícitas.

Importante: Caso você esteja interessada/o em ver esclarecido algumas questão em relação à prevenção das dependências envie um email. Todos os dados pessoais confidenciais

 

Caso esteja interessado/a sobre a realidade portuguesa e as drogas. Siga o link

 

 http://www.emcdda.europa.eu/publications/country-overviews/pt

 

Crise na Família

Nos últimos meses tenho recebido vários emails de mães, assustadas e impotentes, perante o eventual fenómeno do consumo e/ou dependência de drogas ilícitas.

Uma das questões mais comuns: “O meu filho de 16 anos consome haxixe. Ele diz que não há problema, mas estou assustada, será que ele pode ser toxicodependente?”

 

Prevenção que não previne, pelo contrário.

1. Hoje em dia, um número muito significativo de crianças e jovens está exposto e vulnerável perante o fenómeno do consumo excessivo de drogas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas e em relação a este fenómeno sabemos apenas a ponta do iceberg, isto é, não existe prevenção em Portugal.

 

2. Um número significativo de jovens faz consumos concomitantes de bebidas alcoólicas e canabinoides (haxixe e marijuana). Através da minha experiencia profissional, atualmente o consumo de substâncias psicoactivas ilícitas, canabinoides (http://www.doping-prevention.de/pt/substances-and-methods/cannabinoids/cannabinoids.html), faz parte de um acto social, idêntico ao consumo de bebidas alcoólicas, que desde os anos 80 tem ganho cada vez mais adeptos. Quais são os efeitos a medio e longo prazo, nos jovens sobre o consumo excessivo e concomitante entre as bebidas alcoólicas e os canabinoides (THC)? Não conheço a resposta nem existe investigação.

 

3. A guerra global às drogas existe desde os anos 70 e está longe de acabar. Aquilo que sabemos é que a oferta (trafico) supera a procura (consumo), eis um exemplo muito prático, se um jovem curioso  está interessado em consumir e experimentar os efeitos dos canabinoides, não tem muito trabalho e/ou esforço para conseguir obter a desejada substância. É mais simples, do que possamos imaginar. Há 25 anos atrás um jovem que quisesse encontrar, por exemplo haxixe seria mais difícil, hoje não. Por exemplo, no outro dia li num jornal, que um jovem foi detido, na sua escola, por se dedicar ao tráfico de drogas. Ficamos alarmados, mas de certeza que não é um caso isolado.

 

O que é que acontece quando o consumo de drogas ilícitas entra em casa, de rompante?

Frequentemente, quando surge no seio familiar, evidências sobre o consumo de substâncias psicoactivas ilícitas, canabinoides, pela criança/adolescente, a reação da mãe, quanto ao pai é o ultimo a saber, é de choque; “ E agora? O que é que vamos fazer?” Por exemplo, quando uma mãe aborda o assunto do consumo com o filho, a resposta é: “Mãe, não estejas preocupada porque eu sei o que estou a fazer. Sabias que o haxixe é uma droga leve? Sabias que o álcool é mais perigoso que o haxixe? Eu não fumo muito, é só de vez em quando.” Perante esta resposta, mais ou menos esclarecedora, do ponto de vista da mãe, esta fica mais tranquila, pensa que o filho está devidamente informado e é responsável por aquilo que faz, algumas mães ainda teimam, indecisas, em tom de ameaça velada “Vê lá o que andas a fazer, porque se o teu pai sabe disso já sabes como ele é”. Sem explorar mais dinâmicas na família (interação filho e mãe/pai) em relação ao assunto, de acordo com a resposta do filho, podemos pensar em duas questões: 1. O assunto da prevenção sobre o consumo de cannabinoides, na família, não foi abordado 2. com a agravante de a informação que o filho possui, provavelmente foi obtida na rua com os amigos que também fumam e ou na internet  “O haxixe é uma droga leve. O álcool é mais perigoso que o haxixe, por isso devia ser legalizado.” A criança/adolescente pensa: “Só é perigoso se fumar muito, por isso, se fumar de vez em quando não faz mal.”

 

 

 

Fenómeno Binge Drinking

Este video revela o Binge Drinking entre os jovens ingleses, todavia o fenomeno é identico em relação aos jovens em Portugal. 

Proporcione aos seus filhos uma educação realista sobre as consequencias negativas do consumo abusivo do alcool, por exemplo doenças sexualmente transmissiveis, gravidez indesejada, bullying, condução sob o efeito do alcool (crime), intoxicação aguda pelo alcool. 

Fenómeno Binge Drinking entre os jovens - Abuso no consumo de bebidas alcoólicas, num período reduzido de tempo, cuja principal intenção é a intoxicação (embriaguez).


Menos Medicação

Menos Medicação - Mais Amor, Menos Doença: A Esperança da Criança.

 

“Um infinito ardor

Quase triste os veste,

Semelhante ao sabor

Quen tem à noite o vento leste.

Bailam na doçura amarga

Da tarde brilhante e densa

Tem a morte em si suspensa.”  Sophia de Mello B. Andressen

 

 

Foi numa manhã fria, com a neve que rodeava o hospital, fazendo das suas paredes brancas a continuação do nada que se sentia lá fora. Logo de manhã, no hospital de pedopsiquiatria estava a equipa à espera das novas listas de pacientes, sem os conhecermos demos-lhe um rumo. A Maria pertence ao sector da Via Emocional, o Pedro ao sector da Via de Condutas de Comportamento e a João à Via do Neurodesenvolvimento.

Foi-me entregue o João, aquele que eu vou delinear um rumo, mas que não escolheu o seu destino e nunca cheguei a ver a sua cara. No relatório clínico especifica que é muito activo, com problemas de concentração e hostil para com os seus colegas. Parece mais um caso a juntar a muitos outros. Mas quem é ele? Como será a sua cara? Qual è a sua história que nem ele provavelmente pode fazer senso de sonhos perdidos, idealizações que cairam aos pés dele como areia que se escapa por entre os dedos, como foi forçado a não amar aquilo que sente?

Tais questões não são práticas, só possuímos cinco a sete minutos para decidir o que vai acontecer ao João, como, possivelmente, o iremos tratar e uma agenda de 20 minutos para escolher a medicação certa, diz então assim o Pedopsiquiatra.

 

Decidi ir à escola do João, que tem cinco anos de idade. Falei com a professora e ela disse-me que realmente algo se passa de errado com ele pois é quase ímpossivel de o ter na aula, distrai os alunos, e sai do seu lugar constantemente, distraindo assim, os colegas e é muito difícil de controlar. Agradeci-lhe o seu tempo e pedi para ver o João.

 

Apresentei-me ao João e perguntei-lhe se queria brincar por um bocado. Ele perguntou-me “Brincar? Porquê?” eu respondi-lhe que era para o conhecer melhor. Não houve resposta.  Gostaria de acrescentar que uma criança que não tem prazer em brincar, e que por espontaneidade vontade, não sente o benefício do que é fazer um elo/vínculo para com outra pessoa que manifesta interesse em si, essa criança perde a sua essência.