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Prevenção das Dependências - Art of Counseling

Prevenção significa: Prevenir, Adiar e Reduzir o abuso de substâncias psicoactivas geradoras dependência crónica, progressiva e fatal.

Prevenção das Dependências - Art of Counseling

Prevenção significa: Prevenir, Adiar e Reduzir o abuso de substâncias psicoactivas geradoras dependência crónica, progressiva e fatal.

O estigma, a negação e a vergonha e a prevenção dos comportamentos adictivos

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Por motivos históricos, culturais e morais, precisamos de mudar a perceção de algumas crenças rígidas e disfuncionais. Segundo o dicionário da Priberam da Língua Portuguesa estigma é. "Marca, cicatriz perdurável, marca infame feita com ferrete." Recorremos ao estigma ("marca", rótular, preconceitos) a fim de nos diferenciar dos outros, desta forma, estabelecemos uma identidade social, convencendo que somos aqueles que são os "normais.". Na realidade, todos nós já sofremos com o estigma; fomos marcados, sinalizados como “anormais -  persona non grata.

 

Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa negação é: "Não confessar culpa ou delito, recusar, repudiar, afirmar que algo não existe (desmentir), rejeitar" O que é que fazemos quando não queremos ver a verdade? Quando adiamos algo importante? Como é que se ajuda uma pessoa que recusa ser ajudada? O que é que fazemos quando justificamos o injustificável e o disfuncional? Optamos por esconder, não ver, não sentir e resistir à mudança de comportamentos e atitudes.

 

Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa vergonha é: "Pudor, pejo, timidez, acanhamento, timidez, embaraço, receio de desonra" Esta definição diz-nos pouco sobre o poder toxico da vergonha. A vergonha tóxica está enraizada na identidade (ser); não ser digno, não merecer, algo está errado connosco, preocupação e perfecionismo. A vergonha é mais difícil de identificar do que o sentimento de raiva, a ansiedade e a necessidade do controlo. Levamo-nos demasiado a sério (excesso de zelo, moralidade) porque queremos “esconder” a vergonha toxica.

 

Passamos uma parte considerável da nossa vida social a fingir, a negar e a proteger-nos da critica alheia com medo de revelarmos os sentimentos: desenvolvemos a crença que seremos criticados/julgados, repudiados por isso. Na verdade, sentir é OK, independentemente, daquilo que outros pensam ou dizem. É uma prioridade conseguirmos ser honestos connosco próprios.

 

 

Negar as evidencias não é um acto responsável

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Gradualmente, a legalização da canábis (resina e planta), vulgo haxixe e erva, sem ser para utilização terapêutica, tem ganho adeptos dos mais variados quadrantes da sociedade; partidos políticos, organizações não governamentais, opinion makers, alguns artistas, comunicação social, etc. Pessoalmente, não sou a favor da legalização da canábis e explico porquê. Não tenho nada contra as drogas, tenho é muitos motivos para estar desacreditado e desiludido em relação às pessoas, refiro-me aos decisores políticos.  Por outro lado, os portugueses não estão suficientemente informados, a nível científico, sobre os efeitos da droga psicoativa alteradora do sistema nervoso central. Quantas aldeias e vilas empobrecidas, principalmente do interior do país, estão informadas a nível científico? Estas pessoas continuam a recorrer aos mitos e tradições retrogradas e desatualizadas, em termos de comparação, acrescento o consumo do álcool, para efeitos terapêuticos, “beber álcool aquece”, “beber álcool alimenta “ou  “beber algo dá energia”, etc. Nestas aldeias, mais depressa se encontra um traficante de canábis, do que luz na rede elétrica. Nas consultas, escuto pais, licenciados, também baralhados e confusos, perante os argumentos, adquiridos na rua ou informação falsa, dos seus filhos que insistem que o canábis é uma droga inócua para a saúde.

 

 

Feliz Ano 2018

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O tempo não para e não espera por nós! O tempo não volta para trás ou cristaliza. Quem é que manda? Nós próprios ou é o tempo? É através do tempo que avaliamos, mudamos e reforçamos os vínculos com pessoas. O tempo permite-nos tirar ilações e definir objetivos. O tempo foi ontem, é agora e pode ser amanhã. Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa o significado da palavra tempo: “serie ininterrupta e eterna de instantes. Época determinada. Prazo, demora. Estação, quadra própria.”

 

Estamos prestes a terminar mais um ano (época determinada); fecha-se um capitulo antigo e reinicia-se outro no presente com vista ao futuro. Ao longo do tempo, o ser humano está em constante transformação; somos moldados de acordo com as experiências de vida e o conhecimento empírico. Nesse sentido, esta é altura do tempo para fazer um balanço corajoso. Digo corajoso, porque como sabemos, procuramos refugio (segurança e pertença) no conformismo, na apatia e na negação. Queremos que o estado das coisas mudem, para melhor, mas na maioria dos casos, optamos pelos velhas e conservadoras rotinas e hábitos disfuncionais. Ou fantasiamos que alguém apareça, como milagre, para nos motivar ou fazer por nós, aquilo que é da nossa responsabilidade.

 

Algumas questões para o ajudar a refletir (aumentar a consciência) e quiçá tomar uma decisão irrevogável; não há volta atrás.

  • Você considera que precisa de mudar algo nas suas atitudes e comportamentos, para melhor?
  •  Possui um plano concreto?
  • Já definiu objetivos específicos e realistas?
  • Está a sofrer, há demasiado tempo (a duração do sofrimento ultrapassou a logica e os limites)?
  • As pessoas significativas insistem que você deve mudar algo nas suas atitudes e comportamentos?
  •  Já procurou apoio, orientação para a causa do sofrimento ou considera que a solução está ao seu alcance, mas tem andado a adiar? Se as coisas não mudam a tendência é para piorar.

Respondeu sim?  Diga para si próprio: “Quero ser outra pessoa, quero mudar atitudes e comportamentos.” Excelente, identificou rotinas e hábitos disfuncionais (consequências negativas), agora precisa de encontrar fatores que o motivem a avançar. Alguns exemplos: consequências negativas na saúde? Consequências negativas na família, incluindo as crianças? Consequências negativas no local de trabalho (colegas), com a entidade empregadora ou diretor/a? Consequências negativas na justiça?  Respondeu sim? Repita para si próprio: “Quero ser outra pessoa, quero mudar de atitudes e comportamentos”. Ajuda imenso à mudança se você “abrir o jogo”, assumir o compromisso e responsabilidade, com pessoas de confiança ou profissionais.

 

O tempo não para ou espera por nós. O tempo não volta atrás e não cristaliza. O tempo só para nas nossas memorias, crenças e na ilusão; as coisas têm a importância que nós decidimos que elas tenham. A vida é difícil, mas o ser humano é fantástico, resiliente e possui mais competências e recursos do que aqueles que imagina possuir.

Adeus 2017 e excelente ano de 2018 que a mudança de atitudes e comportamentos traga consigo a motivação, a coragem e a esperança com vista a um presente e futuro luminoso. Se mudamos é para melhor. Seja feliz

É apenas a ponta do iceberg

 

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Um novo estudo realizado na Universidade da Califórnia, em São Francisco (EUA) efectuado pelo departamento de pediatria revela que a maioria dos médicos aparenta ignorar as orientações gerais sobre o Plano Nacional de Saúde – Prevenção de Comportamentos de Risco. Durante as consultas aos adolescentes, os médicos deveriam promover um dialogo construtivo sobre comportamentos de risco, tais como; o uso de álcool e/ou drogas e outros assuntos relacionados com comportamentos de risco.

Os pesquisadores administraram um questionário a 2.192 adolescentes com idades compreendidas entre os 12 e os 17 anos de idade. Os jovens eram questionados sobre se alguma vez o seu médico/a tinha falado sobre o uso de tabaco, álcool, drogas (licitas e ilícitas), cinto de segurança e doenças sexualmente transmissíveis.

Mais de 80% dos médicos não abordam questões de segurança tais como; a utilização do cinto de segurança e o uso de capacete e pelos menos 70% não falam sobre o uso de substancias.

A violência entre adolescentes é o assunto menos discutido enquanto o exercício físico e a nutrição são os assuntos mais abordados refere o estudo.

Estudo publicado no Journal of Adolescent Health

Comentário: Pelo menos, nos EUA, algumas instituições importantes escutam os jovens e depois publicam o resultado dos estudos. Pelo menos, alguns médicos têm a humildade suficiente para em público reconhecer que é preciso melhorar a abordagem da Prevenção das Dependências. Pelo menos, algum do dinheiro dos contribuintes e gasto a favor dos filhos/as desses mesmos contribuintes.

Considero que ignorar a realidade “escondida” será contribuir para uma sociedade “doente” que promove uma “ velha cultura que bebe” evoluindo para uma “jovem cultura” que consome substâncias adictiva licitas e/ou ilícitass. Sabemos que entre os jovens consumir drogas, incluindo o álcool, é um acto social. Quantos destes jovens se tornam dependentes enquanto os adultos permanecem impotentes perante este fenómeno?

De acordo com o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (2003) estudos realizados em escolas dos países membros revelaram que 33% dos jovens portugueses entre 15 e os 16 anos de idade já experimentaram o estado de embriaguez. Portugal é dos países da União Europeia que apresenta taxas mais elevadas de consumo de bebidas alcoólicas, assim como problemas graves associados a esta prática, numa percentagem que chega atingir os 10% da população. Esta é apenas a “ponta do iceberg.”

“Mais vale prevenir do que remediar”

Plano Nacional de Saúde