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Prevenção das Dependências - Art of Counseling

Prevenção significa: Prevenir, Adiar e Reduzir o abuso de substâncias psicoactivas geradoras dependência crónica, progressiva e fatal.

Prevenção das Dependências - Art of Counseling

Prevenção significa: Prevenir, Adiar e Reduzir o abuso de substâncias psicoactivas geradoras dependência crónica, progressiva e fatal.

Pedido de Ajuda Corajoso - Agressividade

Pedido de Ajuda Corajoso 

Sou mãe de um jovem de dezoito anos, que durante a sua infância e pré adolescência nunca manifestou comportamentos agressivos ou algo do género, sempre foi um  filho sensível, meigo e atencioso, com um bom senso que por vezes desejaríamos que alguns adultos tivessem.


O meu filho completou 18 anos em Julho 2008 mas...em Janeiro de 2008 começou a ter atitudes agressivas, prepotentes e de uma falta de educação inaceitável.
Falava com alguns familiares e amigos sobre o seu comportamento e iam-me dizendo, tens que ter calma, é uma fase, isso passa.


Eu sou muito carinhosa com os meus filhos mas ao mesmo tempo exigente e "pego no pé" como os meus filhos dizem, mas só quero o melhor para eles.
E quando digo, isto é, mesmo quando eles tem um comportamento incorrecto chamo atenção e sou chata se for necessário.


Mas tudo isto tem sido bastante complicado de gerir. O meu filho sai quase todas as noites e quando eu lhe digo que não sais, por isto por aquilo etc... ele ameaça que sai, e sai mesmo, mesmo magoando.

 
Entrou este ano na faculdade, numa área que não era do seu agrado, depois de muito argumentar para que não desistisse mas aproveita-se as mais valias da frequência desse curso e que logo que a oportunidade surgisse mudava de curso, em vão faltou ate desistir definitivamente.


Desconfiei que andava a jogar no Casino, mas não tenho a certeza e como não consigo demove-lo de se envolver em situações que o possam vir a prejudicar fui desistindo porque vivo apavorada e tudo me passa pela cabeça até que esteja a drogar-se mesmo.


A linguagem dele alterou completamente até o grupo de amigos mais próximo dele tem reparado, começou a sair com outro tipo de amizades ,as quais nem me deixa chegar perto, não conheço nenhum dos amigos dele  neste momento, poucos são os amigos que tinha que ainda se relacionam com ele.


Começou a trabalhar com o tio (irmão do meu marido, falta as responsabilidades todos os dias chega atrasado, sai do local de trabalho, mente, inventa desculpas maior parte descabidas.


Não consegue iniciar um projecto, e termina-lo normalmente, seja a coisa mais básica que possamos imaginar... por ex. diz que vai tomar banho depois arrumar o quarto ou fazer uma coisa qualquer, o telemóvel não pára, basta uma mensagem e ele muda o rumo da vida dele.


Grita comigo a toda a hora, mesmo quando lhe digo que não lhe admito mais faltas de educação , que o repreendo.

 A resposta passou a ser Oh Pá! Oh Pá! E coisas do género. Antes de ontem (sábado) chegou as 6.30 da manhã a casa quando chegou ao local de trabalho , mandou uma mensagem ao tio a dizer que vinha a casa tomar banho e tomar o pequeno almoço, nunca mais lá apareceu. Quando chegou a casa perguntei-lhe, Então? Vieste embora hoje  que a loja tem tanto movimento e o tio precisa de ti? Ele respondeu “Já falei com o tio e fiquei de ir de tarde.” Mais tarde vim a saber pelo meu cunhado que apenas lhe tinha enviado uma mensagem e lhe tinha dito ele que ia de tarde. Eu disse pois... deste um toque para o telefone. A mãe ligou e disseram-me que tinhas saído não está correcto. Miguel, (nome fictício) hoje é que o tio precisa de ti e é assim consegues ganhar o teu ordenado?

O meu filho responde..."não sabe, não fala" fiquei atónica, revoltada envergonhada não foi isto que ensinei aos meus filhos tenho a certeza. Refilei com ele disse-lhe que não lhe admitia tanta falta de educação e que estava saturada de tanta má criação do meu próprio filho. Mas de nada valeu ,foi-se deitar e disse agora deixa-me dormir eu nem posso acreditar este é o meu filho. Aquele a quem ensinei que a atitude era a melhor forma de enfrentar a vida que a educação era o nosso bilhete de identidade enfim uma infinidade de valores que considero vitais na minha vida.
 
Preciso de ajuda , estou a enlouquecer com tudo isto e para alem deste meu filho tenho uma menina com dez anos a quem ele maltrata constantemente, chegando até a bater-lhe, sem qualquer tipo de racionalização. Sinto-me tão sozinha o meu marido está sempre fora, ele não respeita ninguém nem ao próprio pai que anda dia e noite a tentar recuperar a nossa vida que nestes últimos dois anos deu uma reviravolta em termos económicos indescritíveis.
A minha menina e eu choramos todos os dias juntas, muitas vezes com medo do que possa ele fazer a seguir.
Estamos todos os dias sozinhas em casa e eu penso quando ela chegar á adolescência qual o efeito que esta situação terá nela?


Amo demais os meus filhos e não consigo viver nesta angustia, neste medo constante do que vem a seguir.
 
Amélia (nome fictício)

 

Resposta ao pedido de ajuda

Boa noite,

Lamento que esteja a atravessar um período difícil e compreendo perfeitamente a sua mágoa e a ansiedade.

 

Como sabe hoje em dia qualquer família está exposta e vulnerável a todo tipo de crises, por ex. doenças, desemprego, instabilidade financeira, luto, divórcio ou separações, acidentes, etc. Apesar de contemplarmos esta possibilidade, visto acontecer a inumeras pessoas à nossa volta, lá no fundo desejamos que nunca sejamos expostos a estas situações dolorosas.

 

Por vezes, tenho observado que quando surgem crises e privações nas famílias estes períodos de dor e confusão, adquirem um efeito catalisador que fomenta a coesão do grupo e a entreajuda. São nos momentos difíceis e de adversidade que nós nos revelamos. Isto é, aquilo que dizemos saber fazer é “posto à prova”. Falo-lhe por experiencia própria.

 

Apesar de estar limitado quanto à informação e ao conhecimento do problema (historial) posso sugerir algumas orientações.

 

È necessário manter a união familiar a todo o custo. Zelar pelas tradições, rituais e valores que proporcionam segurança, pertença e identificação. Por outro lado, rever a organização e procedimentos (ex. limites) nos “papéis” de cada um. Qual a função dos adultos – pai / mãe? Qual a função das crianças individualmente e entre eles? Será que estão todos desempenhar as suas funções? Caso a reposta seja não esta é a oportunidade ideal para que todos se reúnam e “afinem as agulhas”. Os adultos devem adoptar um plano concreto e específico.

 

Nada está perdido, e se calhar não existem culpados. Pode recomeçar HOJE a fazer a mudança na “casa.” O passado é história.

 

Sugeria que identificasse os aspectos vulneráveis na família (ex. crianças, finanças) e os recursos existentes a vossa disposição (ex. instituições e ou profissionais). Alterar a sua atitude em relação à sua filha mais nova. Ela precisa de segurança e de ter referencias resilientes dos pais. Se a Sra. estiver angustiada e quiser chorar é legitimo que o faça, mas não na presença da sua filha. Fale com o seu marido e partilhe com ele as suas emoções dolorosas. Ele também se vai identificar consigo.

 

Atenuar, o mais possível, a agressividade verbal e eliminarem a agressividade física. Definir um plano e tarefas que caso não sejam seguidas o V. filho sofre as consequências. È importante que as consequências sejam proporcionais ao comportamento problema. Por ex. se não arrumar o quarto irá viver na sua própria desorganização – monitorizado com frequência ou se for violento com a irmã ou com a mãe ser exigido um pedido de desculpas honesto. Fica de castigo no quarto sem internet ou sem telemóvel, reduzirem a semanada durante um período de tempo; sempre sujeito a monitorização dos pais.

 

Se houver mudanças por parte do V. filho fazer o reforço positivo dos seus comportamentos e nessas alturas cruciais revelar-lhe que estão disponíveis para o ouvir, apoiar e orientar na sua vida. Fomentar o diálogo construtivo e honesto sempre que possível e que existam condições.

 

Se necessário pode leva-lo ao médico e efectuar exames ou análises específicas de forma a detectar-se algo anormal.

 

Se desejar a minha orientação profissional pode também recorrer a consultas presenciais (tradicionais) ou consultas online. Caso deseje mais informação pode contactar-me por correio electrónico ou telefone.

 

Se possível irei publicar no meu blogue o seu pedido de ajuda salvaguardando TODOS os seus dados pessoais (confidencialidade). Através do seu pedido de ajuda outras famílias que sofrem em silêncio com problemas semelhantes podem seguir o seu exemplo corajoso.

Desejo-lhe coragem, sabedoria e resiliência.