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Prevenção das Dependências - Art of Counseling

Prevenção significa: Prevenir, Adiar e Reduzir os consumos de substâncias geradoras de abuso, dependência crónica, progressiva e fatal.

Prevenção das Dependências - Art of Counseling

Prevenção significa: Prevenir, Adiar e Reduzir os consumos de substâncias geradoras de abuso, dependência crónica, progressiva e fatal.

Pedido de Ajuda Corajoso - Bullying

Recebi este pedido corajoso de ajuda decidi publica-lo salvaguardando os dados pessoais dos intervenientes (confidencialidade)

“Boa tarde! O meu nome é Fernanda (nome fictício) tenho um filho com 7 anos que se chama Marco (nome fictício). Anda na 2ª classe e desde do ano passado que tenho tido bastantes problemas com ele na escola por causa de um colega que lhe bate muito e esta constantemente a chamar-lhe nomes tipo " és um idiota", Parvalhão entre outros mais graves.

O Marco o ano passado foi internado no hospital, porque estava paralisado da barriga para baixo não fazia coco nem xixi, pensavam os cirurgiões que seria uma apendicite, da qual ao fim de dia e meio a pediatra de serviço diria que era tudo nervos, que lhe estavam a bloquear na barriga, pensei eu SERÁ QUE O MARCO ESTÁ COM UMA CRISE DE NERVOS?! MAS PORQUE?!

Durante todo o ano passado sempre fui alertando a professora para a situação, finalmente chega ao fim de ano e daí vem as ferias, boas para o Marco parecia outro rapaz.

Este ano ele volta à escola que começou a pouco mais de 2 meses nem tanto, e já tive diversos problemas com ele, nunca me contou o que se passava apenas me dizia que tinha muitas dores de barriga, ate que um por um dia destes me apareceu em casa com a marca de um pé na cara e com a orelha toda vermelha, parecia que a tinha entalado numa porta sei lá.

Desde essa altura resolveu apresentar queixa no agrupamento escolar, do qual me responderam que o meu filho também agredia os colegas, pensei; será possível? Procurei saber.

Há coisa de 15 dias sempre que o vou buscar à escola os colegas do 4º ano me dizem que em todos os intervalos 4 ou 5 colegas da sala dele chegam-lhe perto e começam dar-lhe pontapés sem motivo algum, as meninas da sala dele dizem que lhe roubam os ténis e fogem dele, que lhe atam cordas na barriga, que lhe dão pontapés nas costas e que durante a aula de ginástica lhe chamam muitos nomes.

O meu filho desde que sabe que eu apresentei queixa no agrupamento deixou de me contar o que lhe fazem, mas não consegue copiar uma palavra que esta escrita mesmo à sua frente, não dorme de noite, e quando sai de casa para brincar no pátio da mesma cai sempre no chão O que poderei fazer para ajuda-lo?

Como poderei evitar estas situações? Já pedi transferência dele para outra escola mas dizem que não tem vagas.

Que poderei fazer?

Muito obrigada pela sua atenção

Atentamente"

Resposta: Boa noite Fernanda, Imagino que seja uma situação complicada e ao mesmo tempo sensível de gerir.

È provável que o Marco esteja a sofrer as consequências do fenómeno "bullying" que está afecta imensas crianças mas que ainda é ignorado e negligenciado pelas autoridades escolares competentes.

Se calhar o Marco não será o único na escola a sofrer deste problema. Sugeria que contactasse a associação de pais da escola, caso não exista, pense seriamente em criar uma em conjunto com outros pais. Isto se não conseguir a tão desejada transferência.

Não gostaria de dramatizar, mas ser realista. Pelo seu relato (sinais e sintomas físicos e psicológicos) do Marco parece que a situação pode ser mais grave. Como sabe este sofrimento (pressão) pode influenciar o seu desenvolvimento do seu filho. Os miúdos (bullies/rufias) são em muitos casos "cruéis", manipuladores e também podem ser vítimas de algum tipo de “abuso” ex: humilhação, desrespeito, falta de limites e regras, ausência de monitorização dos seus comportamentos pelos pais e ou na escola.

Devem existir formas de você se "socorrer" nesta situação, exemplo: Ministério da Educação, Associações de Pais, psicólogos da própria escola, livros sobre o assunto, procure apoio em instituições que trabalhem neste tipo específico de problemas, etc.

Fernanda, sugeria que continuasse a sua debanda por soluções assim como perceber mais sobre o problema. Como já referi, provavelmente existem muitas crianças vítimas do bullying que permanecem em silêncio. No caso do Marco, você parece uma mãe atenta e zeladora. Expresse a sua compreensão, amor, apoio e segurança que só uma MÃE pode dar ao seu filho. Um dia esse amor pode "salvar-lhe" a vida.

Lembrei-me agora que se ele praticasse judo, visto ser um tipo de exercício físico, que promove a auto-defesa, a auto-estima, a disciplina, competências sociais o ajudasse no presente e no futuro a lidar com conflitos de uma forma saudável e construtiva.

Continue a procura de soluções.

Um Grande Bem Haja

Comentário: O fenómeno do bullying afecta muitas crianças principalmente nas escolas. Ainda parece ser negligenciado, conforme é perfeitamente ilustrado neste caso pela própria escola. Aparenta não existir medidas de prevenção (programas) que abordem e avaliem as dimensões deste problema. Não se vê, não se fala e não se sente – regra do silêncio. Este problema não é recente. Quando éramos crianças provavelmente alguns de nós fomos confrontados por colegas da escola que se divertiam a humilhar e agredir.

Recordo um caso de um jovem com 12 anos que frequentava a escola, que hoje em dia é adulto e pai de 2 filhotas.

Certo dia, foi abordado por um colega mais velho da mesma escola (bullie/rufia) na casa de banho e este obrigou-o a fazer sexo, contra a sua vontade. Após o acto foi avisado para se manter em silêncio caso contrário, toda a escola teria conhecimento do sucedido sendo assim alvo de chacota e humilhação. A partir desse dia, aquela criança guardou para si próprio as memórias deste incidente. Como odiava ir para aquela escola, todos os dias dizia aos pais que não queria voltar. O pai não sendo informado do incidente não descortinando motivos razoáveis para tal atitude, levava o filho para a escola onde ele permaneceu por mais uns anos. De salientar que esta criança era confrontada diariamente com o seu agressor vivendo situações de pânico, angustia e desespero. Muitos anos mais tarde esta criança, hoje adulto, decidiu falar pela primeira vez deste incidente marcante e traumatizante. Memorias que ainda permanecem “vivas” na sua vida.

 Este tipo de comportamento disfuncional que tem a designação de bullying deve ser identificado, avaliado e abordado desenvolvendo-se programas específicos que promovam mudança e medidas eficazes envolvendo as crianças, os pais e a escola.

Um grande aplauso a esta mãe corajosa e resiliente que apesar de estar a atravessar momentos difíceis é uma grande mãe, com todas as letras. Desejo que seja um exemplo de inspiração para muitas mães e pais. Os nossos filhos merecem.